Académico

Proposta Final de Mestrado.

Apenas quando detectamos num objecto a possibilidade de o habitar, podemos, a partir da relação com ele, construir um lugar. Certamente, o objecto arquitectónico transporta em potência essa capacidade de converter-se em lugar. Talvez por este motivo, tenha surgido a necessidade de uma reflexão aprofundada acerca da relação entre arquitectura e lugar – antes de qualquer proposta de configuração desse mesmo objecto.

Posto isto, o pretexto foi a elaboração de um projecto para o Hospital de Santo António dos Capuchos, prevista que foi a sua desactivação. Mediante uma investigação predominantemente histórica e uma leitura fenomenológica daquele lugar, procurou definir-se, com maior precisão, o tipo de experiências que os futuros habitantes dessa arquitectura, antecipada pelo projecto, esperam fazer dela.

Deduz-se que a construção de um lugar é consequência do acto habitativo (no sentido heideggeriano); assim, a construção do lugar está dependente do habitante, aquele- que-habita; deste modo, caberá ao arquitecto projectar segundo uma previsão que ao mesmo tempo é sua e daquele-que-a-há-de-habitar. Conclui-se que o propósito da arquitectura terá de ser a definição de espaços onde se pode, de facto, habitar.

 

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